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Resenha Literária | Guerra do Velho (Editora Aleph)

Guerra do Velho Scalzi CapaQuando John Perry fez 75 anos, ele visitou o túmulo da esposa, falecida já há muitos anos, devido um derrame e se alistou nas Forças de Defesa Coloniais. Fez as despedidas de praxe, se reconciliou com amigos, conversou com o filho e se desfez de suas coisas para embarcar rumo ao desconhecido. Ele e os Velharias, seus amigos, feitos enquanto estavam a caminho de seu treinamento, especulavam sobre o que poderiam encontrar assim que chegassem a Fênix para começar sua instrução e como os médicos poderiam rejuvenescê-los. Tinham apenas teorias, porque nada poderia prepará-los para aquilo.

O primeiro ponto a se destacar nesse romance é sua agilidade narrativa e imersão. É uma leitura difícil de largar, uma vez começada o leitor está dentro da jornada de John Perry com poucas chances de desgostar da trama ou de se entediar. A todo momento, o autor lança perguntas para o leitor, as respostas não tardam e são dadas de modo muito satisfatório o que faz a leitura se mover de maneira leve e muito divertida.

Apesar de toda essa facilidade e diversão, Guerra do Velho não é uma obra descompromissada. Os temas militares são um prato cheio para questões éticas e humanitárias imprescindíveis na formação de qualquer cidadão e Freak. John Scalzi se demonstra ciente disso e, a todo momento, seu livro propõe essas questões ao público.

Para quem gosta de tecnologia e física, o livro vai ser um deleite, pois está cheio de descrições excelentes de armamentos ultramodernos, informações de astrofísica e novos utensílios que, embora não sejam de todo inéditos no mundo da ficção científica, são abordados com um toque de originalidade.

Para quem é mais de humanas, além das já citadas discussões e críticas de cunho filosófico, o livro traz todo um novo universo a ser explorado e habitado por raças alienígenas interessantíssimos que vão desde insetóides de tecnologia inimaginável, até rudes criaturas antropofágicas, cada uma com sua cultura e particularidades religiosas abordadas pelo escritor na medida certa.

O único defeito de Guerra do Velho é não ser maior, eu simplesmente odiei me separar da história, está entre aqueles livros que me fazem ter vontade de ser capaz de esquecer toda a trama só para podê-lo apreciar de inédita. Mais uma vez terei de esperar o lançamento dos outros títulos ambientados nesse universo, é claro, se eles não chegarem até aqui eu os procurarei em inglês mesmo, mas é que vale o aguardo para fortalecer o mercado literário desse nosso Brasil.

Quanto à edição brasileira, lançada pela editora Aleph, preserva o auto padrão de qualidade demonstrado por ela, sobretudo nas traduções e no maravilhoso projeto gráfico apresentado na capa. Além disso, o trabalho de mídia e propaganda da editora é um show a parte, dá orgulho de comprar o livro e só sendo muito desinteressado para não querer ter a edição em mãos depois de dar uma conferida nas redes sociais e no canal de youtube da Aleph.