Por exemplo: Marvel, DC, Liga da Justiça, ...

O Monstro Dentro de Nós | The Last of Us

Até onde você iria para proteger alguém? Valeria a pena matar muitos para salvar apenas uma vida?

Um dos primeiro games que tive o prazer de jogar quando adquiri o quarto console da Sony foi Uncharted 4 e não me arrependo de ter começado a franquia por ele, pois foi um ótimo exercício, pois depois tive de recorrer a primeira trilogia. E a Naughtdog nos apresentou um jogo imersivo que te coloca de fato dentro da trama e é isso o que eu mas gosto nesse título. Diferente da imersão, por exemplo, de Stay (que também tem critica aqui no site). É uma aventura, uma obra de ficção com traços fantásticos. O que é bem diferente do jogo seguinte da mesma empresa.

Citei o próprio Stay como algo mais dramático que aborda temas semelhantes com a realidade. Mas e quando além disso, há também ficção cientifica— Esse é o caso de The Last of Us — Que para todos os efeitos trás uma quebra muito grande de paradigma. Primeiro por inseri-lo nesse universo onde devemos enfrentar seres infectados — Como Resident Evil fez inúmeras vezes — Mas TLoU é muito mais embaixo, sendo isso somente a superfície da trama e mantendo a profundidade em volta dos personagens e em suas características internas.

Assim como citado pelo diretor do jogo; Neil Drukmann, o tema central é o amor. Até onde uma pessoa vai por esse sentimento? Joel mata, mente e age como inúmeros outros seres humanos em toda a campanha, e a diferença dele para com os outros personagens é uma só; Ele faz tudo isso pela pessoa que ama.

Nós somos o Joel. Nós sabemos o que ele passou até chegar ali. Enxergar numa adolescente a filha que perdeu e a ideia de perde-la novamente, não passa pela sua cabeça e é essa a motivação que encontra para continuar e fazer o que acredita.

Assim como também em dois momentos diferente, controlamos Ellie. Apesar de não ser diretamente a protagonista, é igualmente importante para a narrativa. Uma coisa é entender o que motiva Joel, mas outra é: “O que motiva a Ellie?” — Uma menina que nasceu naquele mundo devastado. Que não conhece o que foi um dia o planeta terra. Qual razão que teria para viver num mundo como aquele? — Mas temos uma breve ideia quando a controlamos pela primeira vez — Nesse momento passamos a ter uma visão macro até das pessoas que habitam aquele mundo, tudo sob os olhares da jovem garotinha — Ela conhece outro grupo, e para eles, Joel é o monstro.

Podemos entender mais o que motiva Ellie na DLC do jogo intitulado: Left Behind — ou Deixada para Trás — Pois ficou muitas perguntas com o final do jogo. Momento esse que pela segunda vez controlamos a personagem. Isso que por si só, denota narrativamente como a menina enxerga o seu algoz. Quem é o Joel para ela? — Um desconhecido, uma pessoa que do nada entra em sua vida apenas para completar uma missão e de repente se torna algo como um pai. Não, não é. Esse final demonstra que na verdade ela não conhece aquele homem, não sabe do que ele é capaz e pela primeira vez sentimos o medo em Ellie. Ela sabe das mentiras que saíram da boca de Joel, mas aceita como fossem a verdade. 

Em sua mais nova continuação o diretor disse que o tema abordado para esse será o ódio e até onde vai o ser humano quando se esta em êxtase por esse sentimento? Ellie estará disposta a fazer de tudo para ter sua vingança?  — E será nesse momento que Ellie sentirá na pele tudo pelo qual Joel passou… 

The Last of Us não é um jogo comum de vírus e monstros, esses são apenas um pano de fundo para a verdadeira história. Me senti muito aflito no final do primeiro game. Pois não há uma “Boss Fight” final, eu não estava matando uma mega corporação do mau e sim massacrando soldados que protegiam um hospital decadente que buscava uma cura para aquele fungo.

Eu entendo muito bem a mente do personagem. Sei o porque ele agiu daquela maneira, mas uma coisa eu tenho de admitir, ele foi egoísta com os seus sentimentos. Não pelo fato de impedir uma cura para salvar a humanidade, mas sim por não dar o direito de escolha para a Ellie. E se me perguntassem quem é o principal monstro do primeiro game, a resposta só poderia ser uma. O próprio Joel!

Esse é o game da minha vida. Apesar da Ficção Cientifica e de se passar em um universo pós-apocalíptico, é tão real quanto a vida poderia ser. Aborda temas adultos e interações complicadas entre os seres humanos. A sobrevivência é um ponto crucial e nisso até onde uma pessoa iria para manter-se vivo. A obra pode até ter certos momentos clichês, mas o seu diferencial está em quem são os personagens e no que são capazes de fazer, pois é nesse extremo da vida que mostramos o verdadeiro monstro dentro de nós.