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Dark (Netflix, 2017) | Muito mais que um Capacitor de Fluxo

Coluna | Dark (Netflix, 2017) | “Muito mais que um Capacitor de Fluxo” | Artigo Séries & TV

Quando menos esperamos uma nova produção envolvendo viagem no tempo aparece. Esqueça De volta para o futuro, Donnie Darko e até Efeito Borboleta. Essa nova série da Netflix e de criação alemã trás uma nova visão a respeito do tema – Com uma pegada de suspense e muito mistério – Esse seriado veio para ficar.

Dark é uma série que chegou tímida e com pouca propaganda – Diferente de um Stranger Things, por exemplo – Mas que com o tempo e o boca a boca, começou a se popularizar. Usando a temática: Viagem no Tempo o que me fez acompanhar de perto e desbravar esse novo universo, com base nas teorias de Albert Einstein sobre o fatídico espaço tempo.

Em primeiro lugar, as pessoas falam de forma errada que Dark é um Stranger Things para adultos, sendo que ambos possuem premissa própria. O fato de terem em breves momentos algumas similaridades, não faz de uma o reflexo do outro. E prefiro comparara-la a Lost.

Toda a trama é envolta em mistérios, com seus personagens que mesmo tendo altas explicações, ainda assim existem certas incógnitas, seja por seus passados ou por quem ainda virão a ser. E também aqueles que aparecem pouco, mas quando vemos são os mais misteriosos.

— SPOILER À FRENTE —

Além de tudo isso, temos a viagem no tempo que está lá desde o primeiro episódio. A série se vende assim e portanto não é o grande spoiler. Fora isso, todo o restante são fatos interessantes do rumo da estória. Portanto se ainda não viu Dark, saia agora e volte quado acabar.

Confesso que entre um ou dois capítulos eu parava para pesquisar. Seja pela teoria da relatividade ou outros assuntos envolvendo esse “fenômeno”. É um bom exercício e que ajudaria qualquer pessoa. Pois a cultura pop pode e deve ser um impulsionador para que as pessoas se interessem pelos estudos; isso é o que torna uma pessoa Nerd.

Vamos ao que interessa. Alguns meses atrás eu me decidi não mais criticar ou analisar algo. Por que? – Simples – Temos inúmeros blogs, sites, canais etc que abordam sempre os filmes, séries, games. Não precisamos de mais um para isso. Então pretendo trazer outros tipos de resumos por aqui no Maquina. Por exemplo, analisar o roteiro das produções e falar um pouco das construção textuais. Essa é a minha área e portanto estarei me aprofundando no tema.

Quando pensamos em escrever algo, uma coisa que deve ser frisada é a coerência, todo e qualquer texto deve ser coerente para o seu público. Coisas criveis devem ser estabelecidas dentro daquele universo. Pois por mais que não pareça, sempre haverá um certo estranhamento.

crível

  1. adjetivo de dois gêneros

    que se pode crer, passível de se crer; acreditável.

Vamos dar um exemplo. Pegaremos The Walking Dead – Pois trata-se de uma série de enorme sucesso e público – Ela deixa explicito que naquele mundo não existem filmes de zumbi. Pois se fosse num lugar onde esse gênero “literário” existisse, as pessoas saberiam como lidar com os ditos “monstros“. Tanto que a nomenclatura “Zumbi” foi abolida da trama. Até porque é extremamente contraditório o tanto de “sub raças” existem dentro do termo; E o mais utilizado nesse universo é Walker – Walking Dead ou o Morto que Caminha – É crível para aqueles personagens tratarem esses seres dessa forma. Mas imagine que fosse totalmente o contrário, e ainda assim eles tratassem os caminhantes da mesma forma? – Não seria realista para com a mitologia criada – A mesma coisa foi estabelecida em Dark.

Temos a cidade de Winden e seu fenômeno que por ali ocorre, fazendo com que pessoas possam viajar no tempo. É uma ficção cientifica e portanto, ela apenas flerta com a ciência. Não teremos o lance de maquinas dos tempo, pois só é passível atingindo a velocidade da luz, indo para o futuro, que seria o mais possível de ocorrer – Mas, como é uma uma obra feita para a teve, tudo pode ocorrer – E a trama, é claro, é levada a sério. O que realmente aconteceria se alguém despreparado voltasse no tempo? – Vemos em De volta para o futuro muitas coisas que não seriam criveis se a estória se levasse a sério, mas como trata-se de uma comédia a coisa pode ser uma piada – Aqui é o oposto. Não temos o “Marty Mcfly” voltando no tempo a quase segundos de poder dar errado. Dá errado e o personagem tem de aprender a conviver com isso. E é aqui que a trama começa, onde o cerne tem inicio. Pois se o garoto não voltasse e ficasse preso, o nosso protagonista jamais nasceria e tudo aquilo que está em volta da cidade, jamais teria iniciado.

Podemos imaginar para onde o plot vai e quais seriam as soluções. Seria mais fácil Jonas comprometer a situação dele? – Valeria a pena ser um “mártir”? – Mas ao mesmo tempo ele nasceu e esta vivendo e isso é suficiente para se apegar a vida. Mesmo que ele queira, em determinado momento ele é impedido de fazer. Será então o tempo imutável? – Essa é com certeza a maior discussão do tema. Volto a repetir que nesse aspecto a série lembra muito Lost.

Pensamos então na linha de tempo proposta pela série

Qualquer coisa que seja mudada nessa linha, pode criar um paradoxo temporal em que o universo explode – Como diria Doc Brown – Mas seria isso possível?

Em “A Máquina do Tempo” o personagem cria seu aparato para salvar sua namorada de ser assassinada e mudar o seu destino. Mas se ele faz isso por causa dela, significa que se obter tal exito, jamais construiria a maquina do tempo. Então para tal feito ela deve morrer. É o que ocorre quando ele a salva de ser assassinada, para depois ela ser morta atropelada por uma carruagem.

Nos episódios finais, quando Jonas resolver salvar seu pai e é impedido pelo Padre Noah, talvez seja o destino impedindo ele de alterar a linha temporal. Isso demonstra mais ainda que passado, presente e futuro são uma coisa só, como dito na frase inicial do seriado.

“A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente”

Albert Einstein

A própria cinematografia não trás outra cor ou algo que identifique/justifique tempos diferentes na trama. E ainda assim conseguimos perceber as diferenças. Seja pelas tecnologias ou pelos personagens e suas características únicas e independente que possuem ao longo dos anos. Os criadores jamais questionam a nossa inteligencia, algo louvável nos dias de hoje em produções áudio visuais.

Portanto ressalto aqui o termo e figura utilizado na série que justificam as linhas temporais do roteiro. São três: 1953, 1986 e 2019 – Criando-se assim a famosa Tríquetra – Todas tendo 33 (trinta e três) anos de diferença. Algo dentro dessa premissa evoca muitas teorias e estudos envolvendo o Ciclo Solar e O Eterno Retorno de Nietzsche. Exemplificando é a vida sendo vivida e repetida inúmeras vezes.

Assim como o personagem Ulrich que hora é preso em 1986 por ter sido acusado de estupro, hora por ser preso quando volta para 1953 e “mata” um dos personagens da trama, acusado do rapto e assassinato das crianças. Não somente ali, mas quando seu filho desaparece em 2019 é a repetição do que viveu quando seu irmão também some em 1986.

Todas essas informações você pode encontrar na própria série. Há momentos em que os próprios personagens comentam essas coisas. Seja o ciclo solar ou até o eterno retorno. Do Big Bang e a teoria do Big Crunch (refutada hoje em dia pelos cientistas). Isso no caso faz um bom roteiro, algo que vem de muito estudo e não apenas ser uma “Mcgaiverização”. Obras de cunho da ficção cientifica podem ter suas pirações e fantasias, mas sempre tendo um pano cientifico de fundo. Senão é Star Wars que trás mais o pano da fantasia, ou Star Trek que flerta muito mais com a ciência.

Mas não é apenas de ciência que vive as produções televisivas. E Dark já mostrou que se espelha na literatura e na mitologia. Tendo o mito de Ariadne compondo sua trama.

“Ariadne ou Ariadna, na mitologia grega é a princesa de Creta, filha do rei Minos e da rainha Parsífae. Conhecida por ter se apaixonado pelo herói Teseu e ser esposa do deus Dionísio”.

Teseu foi o grande herói que matou o minotauro, monstro que habitava o labirinto de Dédalo e só o destruiu com a ajuda do Fio de Ariadne. Um “barbante mágico” capaz de mostrar o caminho dentro do labirinto.

Dentro da série existe um fio bem parecido com o da mitologia, porém, não magico e ele assim como na história ajuda Jonas a caminhar pela caverna misteriosa da série, mostrando o caminho até a portinhola que o leva para as outras duas linhas temporais da trama.

Falando das linhas temporais é por meio delas que a narrativa vai se completando. Há aqui um trabalho primoroso de edição, que em cada capitulo vai se costurando. Por exemplo, o que não entendemos em certo momento é explicado lá na frente quando mostra personagem “X” no passado. Ou o porque daquele chefe de policia de 1986 ser um alcoólico. São é claro pequenos detalhes que fazem a diferença não na estória, mas no caráter do personagem, dando assim sustância para o mesmo e mostrando o orque de seus atos.

A trilha e os efeitos sonoros ajudam ainda mais na narrativa. Tendo músicas que são compartilhadas em momentos oportunos que já remetem o que vamos presenciar. Seja pelo heavy metal para nos apresentar a versão revoltada de Ulrich ou um clipe com teclados sintéticos que diz para nós que agora tudo irá s epassar na década de 80. Uma trilha mais antiga que nos remete a uma apresentação, mostra que a cena se passa agora num teatro etc.

A trilha composta para a série vem com violinos repetitivos que denotam um certo mistério e um suspense que soam em momentos tensos em que o personagem não sabe para onde vai ou exita. Não da medo, mas nos coloca em transe sem saber o que irá acontecer em seguida.

A cinematografia é bem escura, remete bem o nome da série e há muito jogo de luz em sombra. Planos subjetivos como se a todo momento os personagens fossem seguidos. Tudo isso complemente a narrativa e ajuda no entendimento de um roteiro. Pois no cinema ou na tevê a imagem deve prevalecer, portanto deve ser um complemento sóbrio no roteiro. O inicio do primeiro episódio ainda nos conta onde tudo irá terminar, repare quando for rever e veja a mesma parede com fotos e noticias das pessoas da cidade, é a mesma que aparece ao final da temporada, quando Jonas chega naquele futuro distópico.

Pois bem, esse é o final da matéria e muita coisa ficou de fora, pois se deixassem ficaria a vida toda falando sobre Dark ou temas de viagem no tempo. Caso você tenha algo para completar, por favor, deixe nos comentário e vamos trocar ideia sobre. Como eu falei muita coisa ficou de fora, incluindo a própria abertura que por si só tem vários elementos legas de se comentar. Mas é isso, assista a série que já está disponível na Netflix.