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Liga da Justiça é um pedido de desculpas ao Superman

Depois de uma agradável surpresa com Mulher-Maravilha, a DC Comics, volta com talvez o seu filme mais importante de todos os tempos, Liga da Justiça, a mais famosa equipe da Era de Prata dos quadrinhos criada em 1960 finalmente chega nos cinemas, mas acredite, para uma fã, esse caminho foi longo e cheio de dúvidas.

Logo após o fracasso de Superman: O Retorno (2006), a Warner engatilhou o projeto ambicioso, o filme da Liga da Justiça. Entre 2007 e 2008 um filme da equipe foi escrito por Kieran Mulroney e Michele Mulroney e tinha George Miller na direção do longa, a ideia foi estabelecer a geração de heróis no filme da equipe e depois continuar com filmes solos dos integrantes. Com toda sua pré-produção já estabelecida, sets de filmagens prontos, elenco escolhido e até fotos de figurinos, por fim problemas fizeram a Warner cancelar Liga da Justiça: Mortal.

Eis que surge no horizonte uma historia que ainda carregaria uma direção para guiar a suas próximas adaptações da DC, com o sucesso de Cavaleiros das Trevas (2008) de Christopher Nolan, a Warner apostou em criar um universo mais realista, com cargas filosóficas e argumentos mundanos para a pergunta: “E se existisse super-seres no nosso mundo, como reagiríamos a isso?”. Homem de Aço (2013) tem ainda muito do DNA do filme de Nolan, mas com uma excelente assinatura visual de Zack Snyder.

Homem de Aço não funcionou para grande parte do público, muito por conta de ser uma filme menos heroico e em grande parte do filme menosprezando a essência do Superman, o famigerado “Sombrio e Realista” acabará fazendo a sua primeira vitima, depois de ser tão aclamada na “Trilogia Nolan”. Apesar das críticas, o Homem de Aço conseguiu resultados satisfatórios e Warner iniciou o plano de estender o universo cinematográfico da DC Comics, depois do sucesso da primeira fase na concorrente Marvel.

Batman v Superman (2016), foi um filme que dividiu o público mais uma vez, sofre dos mesmo problemas que Homem de Aço, o filme tem inúmeras camadas de reflexão, apresentados de maneiras subjetivas e até mal construídas em alguns momentos. Apesar de gostar do filme e achar verdadeiramente excelente, o público geral não saiu satisfeito do cinema, sendo um “decepção” em termos de bilheteria, não chegando no sonhado Bilhão.

Aparentemente a Warner sofre com os problemas criados por ela mesmo, depois do fracasso de Batman v Superman, o filme que era a segunda aposta do ano também fracassou, Esquadrão Suicida sofreou por que Batman v Superman sofreu, o resulta foram refilmagens e inúmeros cortes do mesmo filme, por fim, Esquadrão Suicida até hoje não tem um tom certo, ora sombrio, ora comédia pastelão.

O suspiro de esperança chegou com Geoff Johns, escolhido para guiar o universo cinematográfico da DC Comics, Johns trouxe em seus discursos de “otimismo e esperança” e Mulher-Maravilha (2017) é uma resposta imediata a isso, aclamada pelo público e pela critica especializada, o filme de Patty Jenkins e Gal Gadot reacendeu a chama, guiou Liga da Justiça(2017) para o que ele é hoje, UM EXCELENTE FILME DE SUPER-HERÓIS.

O clima de aventura, deixa pra trás o dramático e pessimista tom que os dois primeiros de filmes Zack Snyder estabeleceu inicialmente. Por consequencial o filme é muito mais leve em termos de tramas e não carrega com si uma carga de camadas.

Os conflitos internos de Bruce Wayne (Ben Affleck), ora carregando a culpa indiretamente de ser o responsável pela morte do Superman e ora tem como fé instaurada de lutar pelo ato de altruísmo de Kryptoniano. Apesar da mudança de comportamento entre os dois filmes, o homem-morcego continua funcionando muito bem. Ben Affleck é o melhor Batman de todos.

A Mulher-Maravilha (Gal Gadot) mais uma vez rouba todas as cenas que participa, sendo o braço direito do Batman, Diana é apresentada de vez aos dias atuais, carregando com si, todo o seu otimismo e força, sem dúvida até agora o maior acerto do universo compartilhado.

Ezra Miller é um Flash exageradamente bem feito, carrega o maior alivio cômico do filme, com suas caras e bocas, Barry Allen é reflexo da empolgação que senti quando estava assistindo o filme e funciona muito bem quando precisa dividir tela com algum outro membro da Liga, Allen serve como gancho para que a dinâmica entre os personagens funciona tão bem, e sem dúvidas carrega o tão sonhado sinal verde para o seu filme solo.

A aposta para o próximo ano é Aquaman e grata surpresa, Jason Momoa surpreende como um homem amargurado, mas que ao mesmo tempo carrega o herói dentro de si, as cenas de ação dentro da água são espectaculares, e trás um excelente gosto de quero mais. Além de Mamoa, outra boa surpresa, apesar de pouquíssimo tempo de tela é Amber Heard , o filme usa de artificio para apresentar um background do que será apresentado no filme solo do herói, por fim Momoa é completamente descente e entrega uma nova roupagem pra um herói tão mal explorado nas ultimas décadas.

O jovem Ray Fisher é o ator menos conhecido nesse “panteão dos deuses”, apesar de ter sido nitidamente reduzido os seus tempos de tela, o Ciborgue é um excelente argumento de roteiro para o que o filme consiga se aprofundar nas Caixas Maternas, sendo um criação da própria. Toda a carga emocional é deixada de lado, para que o personagem consiga conversar bem com as linhas do outros membros da equipe.

O discurso de “otimismo e esperança” de Geoff Johns é o que molda talvez a melhor coisa do filme, Superman, o herói é claramente reconstruído com um tom completamente leve e super bem feito (bigode cof fof), a volta do herói tão teorizada pelo fãs, é uma surpresa, assim como fez em Batman v Superman se baseando nos acontecimentos de Homem de Aço, Zack Snyder, usa de artifícios para que o herói volte tão diferente, seu uniforme está reformuladamente mais claro e o sorriso enfim aparece no rosto de Henry Cavill. O que posso dizer é que Liga da Justiça tem o Superman de verdade.

O vilão Lobo da Estepe (Ciarán Hinds) é um problema no filme, o vilão não tem um desenvolvimento correto, e apenas aparece no filme para conseguir as caixas, o filme usa de flashbacks e pequenos diálogos para indicar o real motivo do vilão ser tão ameaçador, apesar disso, o sentimento de ameaça não é tão maior que o problema do própria escolha de ser um personagem totalmente criado por computação gráfica, assim como o Doomsday, você não sente nenhum tipo de afeto ou medo por aquela CGI estranhamente esquisito. 

As diferenças de direções de Zack Snyder e Joss Whedon é muito perceptivo, enquanto Snyder trás em seu arsenal o visual incrível e épico, Whedon se concentra na criação de cena, nos diálogos e nos resultados que isso pode acarretar, a montagem pode parecer bagunçada, mas no fim funciona e mesmo que indiretamente a dupla Zack Snyder e Joss Whedon se completa.

De qualquer maneira, o mais importante está lá, o filme conversa muito bem com o publico, é de longe o filme da DC mais engraçado de todos que já foram lançados até agora, apesar de achar uma ou outra piada desessenciaria, essa comédia não estraga de forma alguma o filme, a interação e a dinâmica apresentada é ainda mais importante para um filme de equipe e Liga da Justiça consegue entregar com maestria.